Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Veja bem, meu bem

O fim de um namoro sempre é melancólico. Botecos e pessoas, quando saem das nossas vidas, sempre fazem falta. Há alguns meses não visito mais o Bar do Adão, minhas recaídas sempre corroboraram pra discutir a relação. O chope já não é mais o mesmo, os pastéis não vêm mais caprichados da cozinha. Se o romance de copo na calçada não está mais tão quente feito o caldinho de feijão, é hora de terminar com dignidade.

Mas nem tudo são espinhos, flores de vendedores na madrugada me levaram a experimentar um novo boteco, na mesma rua. O Enchendo Lingüiça, liderado pelo antigo gerente da classuda Champanharia Ovelha Negra. O boteco pé sujo serve uma honestíssima carta de cervejas nacionais e importadas, entre elas a rara (e deliciosa) Serra Malte e a também difícil Heineken de 600ml (tá, eu sei que em geral ninguém gosta da cerveja da garrafa verde). Além da tradicional cerveja de garrafa, o boteco também oferece desde os clássicos acepipes de botequim, passando pelas frigideiras para os dias que a fome ataca, delícias como o crocante bolinho de bacalhau ou a muito bem servida porção de gurjões de frango. Dizem que o carro chefe da cozinha é o joelho de porco, servido com a clássica salada de batata, nossos vizinhos de mesa pediram e ficamos salivando.

Em resumo, o que precisamos depois que um namoro termina? carinho e atenção, aconchego e uma boa cerveja de garrafa, ainda mais se ela não for qualquer uma. Foi mal, Bar do Adão, mas Veja bem, meu bem. Sinto te informar que arranjei alguém pra me confortar.

Enchendo Lingüiça
Av. Engenheiro Richard, esquina com Barão do Bom Retiro (praça Maria Martha Ward) - Grajaú, Rio de Janeiro.

Sábado, 28 de Julho de 2007

Sem moscas

Texto originalmente publicado no blog d'Ela, sobre a comida de uma das novas casas de Léo Feijó, a Cinemathèque Jam Club

Azul de fome depois de um dia de labuta, pedi um sanduíche de filé frango com provolone, molho honey mustard, ervas finas e batatas fritas. Nando e Natália também pediram o mesmo prato, olho gordo triplo diante de algo que parecia ser muito interessante. A promessa foi melhor que o resultado final. O que deveria ter saído uma bomba saborosa, veio sem gracinha pra caramba. O provolone era fraco e, por ervas finas, eu deveria ter entendido "salsinha". E mais. Rolou um gostinho de gorgonzola que me incomodou pra cacete. Perguntei pros dois se eles lembravam de ter visto o queijo mofado na descrição do prato no cardápio. Nada. Os dois ainda retrucaram que o deles não tinha gosto nenhum de gorgonzola. A cada mordida, eu ficava mais intrigada. Cheguei a abrir o sanduíche, mas a escuridão da casa não permitiu que eu visse chongas. No final, dei um pedaço pro Nando. "Seu sanduíche tá mesmo com gosto de gorgonzola!". Nat resolveu tirar e prova e BINGO. Alguém entende? Não? Nem eu!

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Vocês já devem ter visto a nova linha 'Sabores da Terra', da Elma Chips, na prateleira dos supermercados e não devem ter entendido nada, né? Disponível nos sabores Mandioca (!) e Inhame (!!!), os salgadinhos fazem parte da linha "saudável" da empresa de porcarias comestíveis mais amada do mundo.

Não contive minha curiosidade e lá fui eu provar. O de Mandioca (ou Macaxeira/Aipim, como diz a embalagem), claro, que eu não tive coragem de pegar a outra opção. O snack tem boa textura, é mais espesso que as batatas da casa e é bem crocante, mas o gosto... não chega a ser ruim (quem gosta de Cheetos Chulé, digo, Bola, não pode se queixar de nada), mas definitivamente não se parece com um legítimo aipim. Tem gosto de nada, na verdade.

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Melhor que comprar esses salgadinhos ensacados, é cortar batatas barôa (ou mandioquinha, como queiram) em formato chips, fritar e encher de sal. Pra hipertenso nenhum botar defeito.

Domingo, 24 de Junho de 2007

Sabor de Infância

Esse post é só pra dizer que a danone ouviu o chamado: agora tem danoninho de 100g, eis o release:

Danoninho, o queijo petit suisse com polpa de fruta, formulado para fazer parte de uma alimentação equilibrada das crianças, quer acompanhar passo a passo o crescimento de seus pequenos consumidores. Para as crianças que cresceram e querem continuar consumindo Danoninho, agora chega o Potão, embalagem com 100g nos sabores Morango e Uva.

Danoninho Potão possui os nutrientes na medida certa: contém 40% do cálcio, 30% da proteína que as crianças precisam ingerir diariamente. Além de muita vitamina, ferro, zinco e apenas 6% do açúcar. Nutrientes na medida certa para complementar a alimentação das crianças.

Toda a nutrição de Danoninho na quantidade certa para as crianças que cresceram.

Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Quebrando preconceitos

Eu não sou fã de queijo coalho e costumo não suportar mel. Mas preciso confessar que o primeiro tostadinho molhado no segundo dá samba, viu.

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Vou começar a anotar os bares e restaurantes do Rio que aceitam Ticket Restaurante e faço uma coluna fixa no blog. Assim eu refresco a memória e compartilho informação útil com os trabalhadores da cidade maravilhosa.

Sábado, 16 de Junho de 2007

Ein Prosit!

Ontem, depois de mais um dia de trabalho, estivemos no mais novo empreendimento gastrônomo-etílico da rua barão do flamengo, o Herr Brauer. O Nome alemão não disfarça, estamos em um templo de apreciação de cervejas, não só germânicas, como belgas, britânicas e outras procedências exóticas. A carta de cervejas é bem caprichada e os preços, justíssimos. Coisa de uma Erdinger custar o mesmo que em um supermercado.

As cervejas são servidas em copos adequados e os garçons servem cada uma com as especificidades de cada qualidade de cerveja. Nessa primeira incursão, preferimos não arriscar muito, fomos de Paulaner Original Münchener Hell e Bohemia Weiss, essa última com direito à um curioso ritual de sacudir a garrafa para criar uma espessa e saborosa espuma com a última dose da garrafa.

Para comer, as mini salsichas foram consideradas em pouca quantidade e também em qualidade, pouco sabor ainda mais quando misturado pela fina camada de provolone derretido que acabou com o sabor das salsichinhas. Pedimos então para fechar, um hamburger de carne que serviu maravilhosamente o casal. Ficou claro que o forte da casa é mesmo a seleção de cervejas, os acepipes deixam a desejar, e os pratos elaborados são pouco convidativos. No fim, deu vontade de voltar mais vezes e colecionar os descansos de copo personalizados de cada uma das cervejas saboreadas, e da próxima vez, sem salsichinhas enganação!

Terça-feira, 12 de Junho de 2007

Complementando

O Fondue era suíço, o Petit Gâteau era americano, o Cabernet Sauvignon era chileno, mas foi um jantar à francesa inesquecível.

Nosso Dia dos Namorados foi adiantado e prolongado :)

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Depois de experimentar cozinhar com pimenta moída na hora, eu me pergunto como eu consegui viver esse tempo todo sem um moedor de pimentas. Sério, papo de mudança de vida e o escambau.

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Mal o Nando apareceu com o site do Olivier Anquier e já testamos três receitas pescadas de lá.

:: O Petit Gâteau supracitado saiu da receita do chef francês. É perfeito, ainda mais com a ajuda da máquina de tortinhas que minha mãe ganhou do Shoptime há meses e que, até então, não tinha servido pra nada.

:: Dia desses, o cunhadinho resolveu fazer a Torta de Chocolate. A massa é maravilhosa, o recheio idem. Receita rápida pra quando bate aquele desejo incontrolável de comer um doce.

:: Ontem, na pressa de fazer um jantar gostosinho e prático pra recepcionar os pais do Nando que estavam chegando de viagem, corremos pro supermercado e improvisamos Iscas de Frango com Batatas Sorriso e molhos Barbecue e Honey Mustard.

As iscas foram feitas a toque de caixa. Frango cortado temperado com sal e limão, passado no ovo e empanado com farinha de pão - que é diferente da farinha de rosca, atenção, aqui só passamos o pão "dormido" no processador - queijo parmesão, pimenta do reino e sal granulado.

O frango foi pro forno junto com as batatas, porque na casa do Fernando eles tomam a sábia - e sem gosto, vai - decisão de não fazer frituras.

Enquanto a comida assava, os molhos. O Barbecue foi adaptado da receita do Olivier. Não achamos açúcar mascavo, foi do comum mesmo. Pelo menos o equilíbrio foi mantido com um molho inglês de responsa, o HP Sauce. O Honey Mustard foi bem tranqueira mesmo: só misturamos mel, mostarda, azeite e um pouco de maionese e consideramos que tava pronto. Tava gostoso, ora!

Depois disso, foi só servir e comer. Refeição rápida e simpática!

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O Nando citou o MARAVILHOSO Rouxbe aí embaixo, mas esqueceu de falar que se alguém quiser doar uma assinatura anual do site de vídeos culinários, estamos aceitando.

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Adorei a tal corrente de receitas por e-mail e já tô participando. E vocês?

Quinta-feira, 7 de Junho de 2007

âp, âp.

Numa lista de sites que visito com regularidade, os de culinária estão entre os primeiros. Não à toa eu e minha patroa resolvemos fundar este humilde weblog onde contamos nossas aventuras gastronômicas.

Um site me chamou bastante atenção quando me indicaram: é o Rouxbe, site estrangeiro que funciona como um YouTube de receitas com um visual adequado para o propósito. O cenário dos programas é bem minimalista e foge daquela coisa "cozinheiro - bonitinho - simpático - engraçadinho". Recomendo, mesmo o conteúdo sendo pago. Pra quem pode se dedicar a aprender as receitas, o preço é justo.

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Falando em cozinheiros engraçadinhos, vocês sabiam que o Olivier Anquier transmite seu simpático programa de culinária via web desde 2004? O programa é o mesmo que outrora fora transmitido pelo GNT, que trocou o galã pelo marginal do Alex Atala. O francês que adora o Brasil é engraçadinho e agitado na medida certa e tem ao seu alcance uma cozinha de sonho (dêem uma espiada no fogão da criatura). O videocast do Olivier funciona como o seu finado na televisão, com algumas adaptações devido ao orçamento. Na última edição, o rapaz apresenta uma receita de lula recheada que deixou o casal aqui nostálgico, pelo fim de semana em paraty onde nos refestelamos com uma iguaria semelhante naquela bela cidade.

Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Bolo da Tia Martha

Oi! Será que alguém ainda entra aqui?

Este humilde blog ficou abandonado durante um tempo por sérios problemas de logística. Ou seja, bateu uma baita preguiça de postar que atingiu as duas partes do casal. Shame on us! Mas como eu creio que antes tarde do que nunca, a volta nada triunfal se deve a uma super bem sucedida tentativa de fazer um belo bolo de chocolate recheado.

Sim, porque rechear um bolo é tarefa complexa, que exige coordenação motora e uma boa receita de uma massa bem firme. A primeira eu não tenho, mas confiei na segunda, que arrumei com a tia Martha. Vizinha de Mambucaba, tia Martha me viu crescer e eu cresci com muito apreço pela ótima comida que ela fazia. Os doces, então, nem se fala. São o forte dela.


Bolo da Tia Martha
2 xícaras (bem cheias) de farinha de trigo
2 xícaras (bem rasas) de açúcar
1 xícara de chocolate em pó
1 xícara de óleo
3 ovos
1 colher de sopa de fermento
1 xícara de leite fervente


A boa é misturar todos os ingredientes secos - peneirando o açúcar antes, sempre - e depois jogar o óleo. Aí você vai notar que sua massa vai ficar parecendo uma meleca gigante, tipo o monstro de Marshmallow do Caça-Fantasmas versão "rolei na lama". Não se desespere. O segredo pra desfazer essa maçaroca está na parte do leite fervendo. Fervendo, oke? Como num passe de mágica, a massa grudenta vira um belíssimo e aerado creme, pronto pra ser despejado numa forma untada e ir direto pro forno quente.

Aí o bolo cresceu, cheirou, ficou lindo e negão. Chega a hora de tirar do forno e a tensão aumenta. O primeiro drama: como desenformar. Confesso que não levo jeito nenhum pra coisa. Deixei esfriar um pouco, meti um pratão em cima e virei. Puft. Saiu sozinho, lindo e inteiro. Segundo drama: dividir o bolo ao meio. Eu e meu radar do "vai dar merda" previmos problema. Como partir um bolo em dois sem que ele quebre e esfarele? Aqui entrou a experiência de mamã: usei fio dental. Sim, fio dental. Cortei um pedação maior que o diâmetro do bolo e passei o dito cujo pelo meio. Não é que deu certo?

Aí foi só rechear e cobrir o bolo com brigadeiro - aquela receita de sempre: 5 colheres de Nescau + 1 lata de leite condensado + 1 colher de manteiga - tunado com meia lata de leite pra dar o ponto e voilá. Só comer quentinho com um copão de suco de acerola e ser feliz.

Segunda-feira, 19 de Março de 2007

First Date

Sábado passado estava fazendo um calor senegalês quando saímos de uma sessão da maravilhosa 'Alice Através do Espelho'. Extasiados com a peça que está em cartaz na Fundição Progresso, resolvemos esticar ali pela Lapa mesmo. Boteco? Tem o Antônio's, recém-inaugurado na esquina da Mem de Sá com a Lavradio, tem a Taberna do Juca, que aceita VR... e a pizzaria Guanabara, ali debaixo dos Arcos? Alguém falou em pizza? Lembramos que jamais pisamos na Encontros Cariocas, pizzaria anexa ao Carioca da Gema, casa de shows tradicional do boêmio bairro do Rio de Janeiro. O lugar é uma delícia e, como era de se prever, fica num sobrado de um velho casarão. O ar condicionado funciona lindamente e, mesmo assim, eles abrem as janelas da sacada pra podermos apreciar o movimento.

Como achávamos que a fome ia ser pouca, pedimos o que eles chamam de pizza individual. A julgar pela medida que leva o mesmo nome na Fiammetta, esperávamos saciar nosso desejo logo ali. A vítima foi a pizza de Shiitake, por salgados R$19,80 por uma rodela menor do que imaginávamos. A massa vem com molho de tomate (tem que avisar, né, agora é moda tirarem o molho da pizza), mussarela, shiitake refogado no azeite com alho e uma pasta de shiitake com creme de leite sobre a massa, cuja espessura pode ser escolhida ao gosto do freguês. Optamos pela fina, que vem crocante, crocante, com aquele gostinho inconfundível de forno à lenha. Apesar do gosto excessivo do alho - já disse que não gosto? - a pizza é excelente. Tão boa, mas tão boa, que resolvemos meter a mão no bolso e pedir outra, individual, porque àquela altura do campeonato seria besteira tentar devorar uma família, apesar da compensação financeira.

Depois de muito pensar, escolhemos a Parma, de presunto cru com mussarela. O tchã foi dado com a borda de catupiry (R$ 3 a mais), incrivelmente bem feita. A pizza, simples e gostosa, agradou bastante, mas poderíamos ter desembolsado mais um pouquinho para trocar o queijo por mussarela de búfala (R$ 4 a mais).

Numa noite de calor extremo e muita sede, repetimos a dobradinha do famoso comercial. Afinal, quem não adora uma boa pizza com guaraná?

Encontros Cariocas
Avenida Mem de Sá, 77/sobreloja, Lapa (3970-1281).

Terça-feira, 6 de Março de 2007

Pechincha

Já não lembro o preço exato, sei que tive a sorte de adquirir um vidro - vidro mesmo! - de catchup Heinz por uma merreca no Extra. Por menos de R$3, trouxe pra casa aquela maravilha de molho de tomate condimentado e importado - da Venezuela - pra acompanhar os mais diversos pratos.

Tudo bem que o Extra é careiro pra cacete, mas essa foi a grande oferta da minha última incursão ao supermercado.