Veja bem, meu bem
O fim de um namoro sempre é melancólico. Botecos e pessoas, quando saem das nossas vidas, sempre fazem falta. Há alguns meses não visito mais o Bar do Adão, minhas recaídas sempre corroboraram pra discutir a relação. O chope já não é mais o mesmo, os pastéis não vêm mais caprichados da cozinha. Se o romance de copo na calçada não está mais tão quente feito o caldinho de feijão, é hora de terminar com dignidade.
Mas nem tudo são espinhos, flores de vendedores na madrugada me levaram a experimentar um novo boteco, na mesma rua. O Enchendo Lingüiça, liderado pelo antigo gerente da classuda Champanharia Ovelha Negra. O boteco pé sujo serve uma honestíssima carta de cervejas nacionais e importadas, entre elas a rara (e deliciosa) Serra Malte e a também difícil Heineken de 600ml (tá, eu sei que em geral ninguém gosta da cerveja da garrafa verde). Além da tradicional cerveja de garrafa, o boteco também oferece desde os clássicos acepipes de botequim, passando pelas frigideiras para os dias que a fome ataca, delícias como o crocante bolinho de bacalhau ou a muito bem servida porção de gurjões de frango. Dizem que o carro chefe da cozinha é o joelho de porco, servido com a clássica salada de batata, nossos vizinhos de mesa pediram e ficamos salivando.
Em resumo, o que precisamos depois que um namoro termina? carinho e atenção, aconchego e uma boa cerveja de garrafa, ainda mais se ela não for qualquer uma. Foi mal, Bar do Adão, mas Veja bem, meu bem. Sinto te informar que arranjei alguém pra me confortar.
Enchendo Lingüiça
Av. Engenheiro Richard, esquina com Barão do Bom Retiro (praça Maria Martha Ward) - Grajaú, Rio de Janeiro.
